ENTREVISTA
Veja abaixo entrevista exclusiva de
1- Fale um pouco sobre sua relação com a
poesia, os poetas que você tem lido, aqueles que você considera que influenciam
você.
Resposta: A relação com a poesia começa com o abrir dos olhos, mas em versos a minha iniciou-se nos anos escolares e não tem fim. É com poetas de todos os tempos, os clássicos, românticos, parnasianos, simbolistas, modernistas e das mais diversas correntes estéticas. São indeléveis as impressões de Camões, Antero de Quental, Bocage, Fernando Pessoa, Castro Alves, Gonçalves Dias, Thomas Antônio Gonzaga, Olavo Bilac, Raimundo Correia, Augusto dos Anjos, Cruz e Souza, e de uma infinidade de poetas que antecedem a minha admiração pelas subseqüentes gerações no Brasil chefiadas e sob a influência de Mário de Andrade. Devo-lhes a visão que tenho da poesia como expressão da intuição do bem e do belo na vida e na natureza.
2- Como a leitura influenciou sua vida?
Resposta: A leitura
influenciou minha vida, conscientizou-me da evolução do homem, a sua fascinante
quanto desesperada luta pelo progresso material
e espiritual. A boa obra literária orienta-o ao autoconhecimento, à
tolerância, aos valores da dignidade humana, à denúncia de desumanidades, à
conquista de um mundo de paz, justiça e fraternidade. É desnecessária a citação
de um Victor Hugo, Dostoievski, Tolstoi, Gorki ou Houward Fast e maiores
exemplos.
3- O que
você procura com sua escrita e o que tem determinado sua criação literária?
Resposta: O que procuro
na poesia está implícito no que disse acima sobre a visão que dela tenho. Na
prosa busco também a verdade, uma correta interpretação da realidade social,
sem perder de vista as correlações econômicas, lutas sociais, e a importância
do coração do homem como motor de sua evolução na História.
4- Segundo sua óptica, o escritor deve
estar mais comprometido com o fazer literário ou com o todo da vida
social? É necessário que a escrita tenha sempre um fundo social e não
apenas estético?
Resposta: Não há como
ignorar nem separar o vínculo estético
do social.
5- Como você vê a literatura que está sendo feita hoje
no Brasil?
Resposta: A atual literatura reflete a diversidade cultural no País, a desigualdade no desenvolvimento, porém com representação positiva do bom espírito brasileiro.
6- Fale um pouco sobre a problemática
editorial e a divulgação dos autores menos conhecidos? Você acha que a Internet
tem influenciado essa questão?
Resposta: Considero o
livro um documento para sempre. O autor deve publicá-lo, vencendo o obstáculo
da editoração. A divulgação depende de iniciativas e ações do próprio,
colaborações em jornais, revistas, participação
em associações, instituições que os congreguem. Para mim a Internet tem sido a maior das
soluções para divulgação em todo o País e no mundo. O meu “site” http://www.astrovates.com.br tem uma
visitação muito grande, em média oito mil por mês, atingindo desde l.997 quase
dois milhões de “hits” - a maior parte do Brasil, Estados Unidos e países de
língua portuguesa e espanhola.
7- Como você vê a influência da cultura de
massa na literatura brasileira atual?
Resposta: A cultura de
massa constitui uma fonte natural que suscita análise e aproveitamento, pois é
rica em aspectos positivos.
8- O que você acha do trabalho das editoras
alternativas?
Resposta: É clara a
necessidade do trabalho das editoras
alternativas.
9- De que forma o Paraná contribuiu para sua formação
literária?
Resposta: O Paraná
influiu em toda a minha formação, também na literária. Ponta-grossense, no lar,
na escola, no ginásio, depois na universidade em Curitiba, na promotoria de
justiça e bancas advocatícias em diversas cidades do interior, por fim em
Guarapuava e, em Curitiba, quando anistiado retornei aos quadros do Ministério
Público.
10- O que significou o Prêmio Nacional de
Romance conferido à sua obra Arcabuzes?
Resposta: O Prêmio Nacional de Romance que me foi conferido
teve uma significação extraordinária por causa da constituição, na comissão
julgadora, de dois grandes escritores em constante atividade no Brasil, Ignácio
de Loyola Brandão e Dionísio da Silva, além da historiadora paranaense Jane
Sprenger Guimarães. Representou o reconhecimento de um romance épico brasileiro
que realmente aconteceu.
11- Arcabuzes pretende restaurar a memória
nacional com uma nova visão histórica. Que visão seria?
Resposta: A visão em
Arcabuzes ainda é original, não suficientemente conhecida e, em conseqüência,
não compartilhada. Porém, a da verdade histórica. A de que houve no Brasil uma
revolução das classes urbanas, da burguesia nacional, cujos marcos decisivos
foram a Abolição da Escravatura, a Proclamação e Consolidação da República
Federativa. A de que, ainda antes da segunda guerra mundial, houve três grandes
revoluções da burguesia no Ocidente: a francesa, a americana e a brasileira,
cada qual com características próprias. Demonstro em Arcabuzes as do Brasil,
como as da contra-revolução que levaram à guerra civil, então impropriamente
designada “revolução federalista”, na verdade uma contra-revolução
antifederalista, de caráter reacionário, intuitos restauradores, até mesmo
separatistas, além de anárquica. Procurei revelar a vida, as lutas, a alma do
povo no momento de transição do poder do campo para a cidade, como e qual foi o
mais importante acontecimento histórico da pátria brasileira. Num dos primeiros
capítulos há a visão de que o homem tem relações primordiais e, antes de tudo,
de quaisquer condições, é pessoa. Como tal, um valor infinito.
12- Qual é a principal característica do Novo
Período Literário?
Resposta: A principal
característica do Novo Período Literário é a Reconstrução, anunciada por
Jacques Maritain e autores que conspiram por uma nova ordem; Reconstrução
enriquecida com o personalismo de Emmanuel Mounier, doutrinas de ações de paz e
boa vontade, não-violência, a exaltação do real e do humano numa “arte pelo
bem”, de amor com conteúdo essencial; uma revolução pela Fraternidade; a
elevação do homem à conscientização cósmica. Mas num realismo humanista pode e
deve ser exibido o mal, o grosseiro, o trágico, como expostas são as feridas
para curá-las.
13- O que é escrever poesia hoje, na
contemporaneidade? Clarice Lispector
disse "escrever é uma maldição, mas uma maldição que salva", você,
escritor, como se posiciona diante dessa declaração?
Resposta: Acho que
escrever é uma bem-aventurança, expressar um dom, dádiva numa missão ou tarefa
tão digna quanto a de todos os trabalhadores, contribuindo para a evolução do
homem, a grandeza de seu destino, descortinando-lhe a verdade, a beleza, o
encanto, a sublimidade na vida e na natureza.